Sedevacantismo – Um breve esclarecimento

Os tempos de confusão na Igreja geram uma multidão de problemas e de escândalos que são por demais evidentes. No meio da desorientação, surge um outro problema: o sedevacantismo, ou melhor, os sedevacantismos, porque, tal como o protestantismo, também o sedevacantismo se pulveriza numa quantidade enorme de seitas que se excomungam mutuamente, cada uma com as suas peculiaridades, com os seus bispos ilegítimos e por vezes com os seus diferentes anti-papas. Esta desordem já de si põe em evidência o absurdo do sedevacantismo porque não resolve nada e só gera caos, não Igreja. Pelos frutos se conhece a árvore.

Esta corrente, que pode exercer entre os cristãos desorientados e escandalizados uma certa atracção, pretende ser uma reacção à heresia do modernismo, mas acaba por cair também ela num erro evidente e gerar uma situação caótica na Igreja. Não reconhecendo na teoria ou/e na prática o Papa (para eles a Santa Sé – a Cátedra de São Pedro – está vacante, ou seja, não há Papa), nem Bispos, nem Sacerdotes nem Sacramentos, abraçam soluções sectárias em que cada uma se arroga no direito de julgar o Papa e toda a Igreja, numa espécie de livre exame protestante. Mas, quem lhes deu essa autoridade?

A Igreja é fundada sobre São Pedro, por instituição divina. Esse poder e essa missão continua visivelmente na Igreja através dos sucessores do Apóstolo São Pedro que, como ele, recebem de Cristo a grave missão de “confirmar os irmãos na fé” (Lc 22, 32). Por isso, a Igreja não pode viver sem Papa. Quando um Papa morre, reune-se o conclave, é eleito outro Papa, e só então a Igreja volta à normalidade. Mesmo em tempo de sede vacante (quando um Papa morre ou renuncia), tudo decorre dentro das normas e limites decretados pela instância suprema que é o Papado. A autoridade dos Bispos também vem de instituição divina. Por isso, um cristão que não reconhece a autoridade dos Bispos, na teoria ou/e na prática, também cai num erro grave. Mas não há instituição canónica acima do Papado. Por isso – e aqui se encontra o erro fundamental do sedevacantismo, e a sua superação – NÃO EXISTE NINGUÉM NESTE MUNDO COM LEGITIMIDADE PARA JULGAR O PAPA.

Ou seja, os cristãos podem naturalmente ter as suas impressões e opiniões privadas sobre a pessoa de um Papa – naturalmente sempre com caridade filial – mas não têm autoridade para julgar e declarar um Papa herético, e por isso, decaído da sua autoridade. Só um Papa tem essa autoridade. O resto são opiniões nunca assumidas pela Igreja.

Por isso, não cabe aos cristãos resolver estes problemas que escapam à sua competência, mas cabe aos cristãos, especialmente em tempo de crise, tomar a sério o próprio caminho de conversão e de santidade, e tudo fazer para viver e transmitir a fé que recebemos dos Apóstolos. Por fim, cada um será julgado por Deus segundo a sua responsabilidade.

Rezemos pelo Santo Padre, o Papa Francisco, e pela Igreja.